No dia 25 de fevereiro de 2018, um sonho antigo da saudosa Adolfina Pacheco Sá dos Santos, a “D. Dodô”, ganhou forma diante da população lajedense. Naquela data, em um evento simples, mas carregado de simbolismo e emoção, foi inaugurado o espaço provisório do Museu Lajedense Adolfina Pacheco Sá dos Santos e lançado o livro “Documentos e Fotografias Históricas de Lajedo”, de autoria de Paulo Henrique Dias dos Santos. Hoje, oito anos depois, o museu comemora este marco como o início oficial de uma nova fase na preservação da memória de Lajedo-PE.
A história do museu começa muito antes da sua formalização jurídica. Durante a pesquisa para seu primeiro livro, Paulo Henrique conheceu D. Dodô, guardiã de um valioso acervo histórico do município, composto por fotografias, documentos e objetos preservados ao longo de gerações pela família de seu esposo, o seresteiro Washington Medeiros. Ao perceber o compromisso de Paulo Henrique com a história local, Adolfina abriu as portas de seu acervo e, a partir dessa parceria, nasceu não apenas um importante trabalho de pesquisa, mas também uma amizade que resultaria na semente do futuro museu.
Dona Dodô acalentava um grande sonho: ver Lajedo contar com um museu dedicado à preservação da história e da cultura de seu povo. Buscou apoio da gestão municipal, sugeriu o uso de espaços institucionais, e chegou a propor que Paulo Henrique assumisse a responsabilidade pela gestão da futura instituição. Seu desejo, porém, não se concretizou em vida. Em 16 de agosto de 2015, Adolfina faleceu de causas naturais, sem ver o museu existir.
Três anos depois, em 2018, já formado em Direito, Paulo Henrique, ao lado de outros entusiastas da história local, decidiu transformar aquele sonho em realidade. Nascia, assim, o Museu Lajedense Adolfina Pacheco Sá dos Santos, uma associação sem fins lucrativos, formalmente registrada no Cartório de Pessoas Jurídicas, inscrita no CNPJ e cadastrada no Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). Ao longo dos anos, a instituição também conquistou a certificação de “Ponto de Cultura” pelo Ministério da Cultura, bem como o cadastro como “Entidade Custodiadora de Acervo Arquivístico” junto ao Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ), consolidando seu papel institucional na preservação do patrimônio documental e museológico.
O evento realizado em 26 de fevereiro de 2018, hoje celebrado como data simbólica de fundação do museu, representou a materialização da luta de tantas pessoas pela valorização da memória lajedense. Além da abertura do espaço provisório, o lançamento do livro “Documentos e Fotografias Históricas de Lajedo” marcou um importante passo na difusão do acervo histórico do município. Registros em vídeo e fotografias daquela ocasião, bem como das primeiras atividades do museu, ajudam a contar esta trajetória de construção coletiva.
Desde então, o Museu Lajedense vem ampliando sua atuação como centro de memória e educação patrimonial. Em 2020, com incentivo do Governo de Pernambuco por meio da Lei Aldir Blanc, o museu deu um salto em direção ao ambiente digital com a criação do site Rede Virtual da Memória Lajedense (https://museulajedense.org.br). A plataforma, de acesso gratuito, permite que qualquer pessoa, em qualquer lugar, possa conhecer parte importante da história de Lajedo-PE a partir de fotos, documentos e conteúdos históricos disponibilizados online. Essa iniciativa consolidou o caráter híbrido do museu, que, mesmo com um espaço físico de apoio na Rua João Franco de Albuquerque, nº 511, bairro Planalto, tem nas ações virtuais uma de suas principais frentes de atuação.
O compromisso com a educação patrimonial sempre foi uma marca da instituição. Em 2019, por ocasião dos 70 anos de emancipação política de Lajedo, o museu promoveu uma série de palestras em escolas da rede pública e privada, como a Escola de Referência em Ensino Médio Deolinda Amaral, a Escola Estadual Jornalista Manuel Amaral, e diversas unidades da rede municipal, nos povoados e na zona urbana. Essas atividades aproximaram estudantes da história da cidade, estimulando o orgulho pelo território e a valorização do patrimônio histórico local.
Em 2022, um novo impulso às ações educativas foi possível graças ao apoio do Deputado Federal Gonzaga Patriota, que viabilizou a impressão de 300 novos exemplares do livro “Documentos e Fotografias Históricas de Lajedo”. As obras passaram a ser utilizadas em atividades de educação patrimonial em escolas públicas de Lajedo, fortalecendo ainda mais o papel do museu como referência em pesquisa e divulgação da história local.
A participação em eventos como a Semana Nacional de Museus, stands culturais na festa do padroeiro Santo Antônio e a presença constante em reportagens e jornais de circulação municipal demonstram que, mesmo sem um grande prédio expositivo, o Museu Lajedense se consolidou como agente ativo da vida cultural da cidade. Ao longo de sua trajetória, a instituição contou com o apoio de parceiros importantes, como a Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco, por meio do Prêmio de Criação, Fruição e Difusão (LAB-PE 2020), reconhecendo a relevância do projeto para o cenário cultural pernambucano.
Com missão clara: preservar a história e cultura de Lajedo-PE, o museu orienta sua atuação por valores como o comprometimento com a comunidade local, a ética, o respeito à diversidade de públicos e uma gestão transparente e participativa. Sua visão de futuro é ser referência municipal em preservação da história e em ações de educação patrimonial, fortalecendo cada vez mais o vínculo entre passado, presente e futuro.
Ao completar 8 anos de sua fundação simbólica, o Museu Lajedense Adolfina Pacheco Sá dos Santos celebra não apenas uma data, mas uma trajetória de resistência, afeto e compromisso com a memória coletiva. O que começou no acervo guardado com carinho por D. Dodô, hoje se transforma em plataforma digital, atividades em escolas, palestras, livros e ações culturais que mantêm viva a história da cidade.
Em um tempo em que tudo parece passageiro, o museu reafirma uma convicção que orienta seu trabalho diário: “Trabalhar com o Patrimônio é olhar para o futuro, respeitando o passado”. E é com esse olhar que a instituição segue em frente, convidando toda a população lajedense a fazer parte desta história.